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| *Fotografia de Alexandre Fávero - Salvador/BA - 2007 |
Na plenária aberta da Associação Brasileira de Iluminação Cênica - ABrIC a postagem de imagens chamada de "Retina Curiosa" tem gerado algumas análises e observações interessantes, como forma de aprimorar o conceito do uso da luz nas várias formas de interpretar imagens.
Segundo o professor, pesquisador e lighting designer Valmir Perez, do Laboratório de Iluminação da Unicamp
"A reflexão dos trabalhos de design e das obras de arte através de imagens é uma estratégia genial para treinarmos nossas capacidades de apreciação e sensibilidade, assim como a de aprofundarmos nossos conhecimentos subjetivos nessas áreas.
A grande maioria das pessoas não é educada à apreciação, a saber apreciar uma obra. Somos, a maioria de nós, "analfabetos" visuais. Somos, quando crianças, em casa e nas escolas, iniciados apenas no universo simbólico das letras e das palavras e quase nunca das imagens.
Costumo utilizar essa estratégia nos cursos que ministro e posso garantir que grande parte dos alunos, quando levados a questionamentos mais profundos sobre a apreciação e valor subjetivo das imagens, costumam ter o que podemos chamar de "insights" de entendimento. Parece que um novo, belo e complexo mundo se lhes abre á visão do espírito. Isso causa muita alegria e favorece a iniciação para novas jornadas em busca de diferentes leituras do mundo.
Comentário analítico do professor sobre imagem de Alexandre Fávero:
Prezado Alexandre, boa tarde, Vou tentar colocar em algumas palavras o que pude sentir através da imagem que você disponibilizou para nós:
Primeiramente o que se destaca é a vela, ou mais precisamente, esse enorme triângulo de cores quentes. O triângulo é uma figura elétrica, dinâmica, diferentemente do harmonioso círculo ou do estático quadrado. Ele me passa movimento, avanço, mas é um pouco mais estático na parte superior, com um fundo predominantemente azul. Ás vezes chego a pensar que ele perfura a parte superior do quadro, enquanto repousa nesse fundo. Os desenhos e cores internos da figura estão como que carimbando seu centro. A mandala interna também produz um efeito de movimentação do interior para o exterior, como que explodindo com vivacidade. As faixas brancas de brilho solar sobre a água ofuscam nossa vista, fazendo-nos quase proteger a vista do astro rei que reina por detrás da vela. Esse efeito de contraste fica mais acentuado em conjunto com a silueta do barco e dos seus tripulantes. No geral, a imagem me passa calma, paz e tranquilidade, mas ao mesmo tempo inspira movimento. Vidas em movimento, mas em harmonia com a natureza. Apreciando com mais acuidade, parece-me que alguma coisa coisa está para acontecer. Que o movimento levará o barco e seus tripulantes para fora do quadro, numa viagem sem fim. Uma imagem muito bonita, embora o contraste entre tons não me permitem olhá-lo por muito tempo. Sinto a visão violentada por esse contraste. De qualquer forma, penso que a poesia é sempre a linguagem mais apropriada para descrever sentimentos. Para mim é impossível relatar sentimentos e sensações em linguagem descritiva-analí tica. É impossível relatar todas as sensações dessa imagem apenas descrevendo o que vejo. Então deixo abaixo algumas linhas que misturam palavras com emoção:
Salta o tempo na proa do barco
Salta o tempo nas carretilhas, nas mãos
Salta o sol, salta a onda, salta a vida de todos nós
Saltam os átomos em bilhões de turbilhões de fótons
Saltam nossos olhos, nossas vistas corações.
Um abraço,
Contatos:
www.iar.unicamp. br/lab/luz
http://valmirperez. blogspot. com/
http://imprensanapr ensa.blogspot. com/
Agradecemos a generosidade dessa "retina curiosa"!
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