Página Inicial | Teatro Lumbra | Esfera de Ação | Faça Contato
Repertório
Clube da Sombra
Cia Teatro Lumbra
Caixa Preta
Sombrista usa a precisão nas ações
 
Clareza propocia uma leitura rápida
 
Visualização da própria sombra é um dos fundamentos
 
A cor permite simbolismos mais complexos
 
O escuro é a matéria-prima do teatro de sombras
 
A sombra corporal é um ponto de partida nas pesquisas
 
Múltiplos focos permitem cenas simultâneas
 
Corpo e silhueta interagem na cena
 
Experimentar é necessário para as novas descobertas
 
Cenas rápidas são as preferidas do público
 
O gesto oferece muitas leituras na sombra corporal
 
Objetos funcionando como cenografia
Sugestões e pontos de partida para um aprofundamento teórico, prático e investigativo na pesquisa do teatro de sombras
*Última atualização set/2008

Princípios básicos para estruturar e exprimir idéias com as sombras

01-Princípio único da natureza da sombra

A matéria-prima da sombra é a escuridão. A ausência e a presença da luz irão determinar suas diferentes qualidades. A penumbra é o ponto de transição para outras graduações de luz e de interferências na sua condição de existência e apreciação.

02-Elementos necessários para fazer da sombra uma ferramenta

Qualidade mínima de penumbra no ambiente, uma fonte de luz qualquer que possua potência maior que as possíveis interferências luminosas indesejáveis, uma superfície qualquer para a projeção e um obstáculo físico qualquer entre os dois primeiros elementos. Diferentes valores desses elementos determinam o poder expressivo e a clareza das informações sugeridas pela sombra.

03-Caráter expressivo da sombra

É a representação mental de uma idéia qualquer através da linguagem genérica da sombra para que alguém testemunhe através da sua apreciação visual. Pode ser experimental, improvisada, ensaiada, abstrata, realista, mista ou baseada em variadas referências artísticas ou em diferentes estilos e maneiras de expressar uma mensagem.

04-Teatro ou espetáculo de sombras

É a encenação através da linguagem das sombras para ser apresentada diante de um público, independentemente do estilo, dos recursos técnicos ou do espaço. Necessariamente exige um conceito mínimo de dramaturgia onde a percepção da sombra se faça através da emissão consciente do transmissor (ator) e a captação visual feita por um receptor (espectador).

05-Narrativa e dramaturgia da sombra

É a arte ou a técnica de planejar e representar conscientemente uma cena com a linguagem do teatro de sombras. Essa capacidade depende do conceito, da composição e da totalidade de recursos técnicos específicos para desenvolver uma idéia em argumento e articulá-la, posteriormente, para aos olhos do público. Sua complexidade artística é o que lhe confere características de obra cênica ou espetáculo.

06-Teatro de sombras e teatro com sombras

Um espetáculo “com” sombras é teatro - mas não é necessariamente “de” sombras. A sombra explorada como conceito dramático por iluminadores e diretores de teatro e de cinema geralmente possui um valor estético de efeito. O principal diferencial desse recurso para a linguagem é que a sombra de um personagem ou coisa nunca ficará na condição de coadjuvante ou como mero efeito em um espetáculo de sombras. A preposição ”de” está relacionando a sombra como origem, ponto de partida desse gênero de teatro, portanto, tudo e todos estarão subordinados a ela. Independente da obra, uma cena “com” sombras pode não ser uma cena “de” sombras, mas, o contrário é possível, portanto, basta ver e refletir sobre quem é o protagonista da narrativa ou da cena para resolver esta questão.

07-A técnica e o gênero do teatro de sombras

O gênero contém a técnica, que estará incondicionalmente ao seu serviço. A técnica na arte do teatro de sombras é configurada como a soma de todos os detalhes que envolvem a sua execução. Um procedimento estudado. Uma receita. Um conjunto de métodos e processos que tornam o técnico envolvido em um perito, um especialista no assunto. Os técnicos dependem dos procedimentos e dos materiais envolvidos na execução de suas tarefas.
O gênero é um conceito que engloba as propriedades comuns de um assunto, de um grupo ou de uma classe. O gênero do teatro de sombras abrange o todo. Desde sua história, desenvolvimento, dissidências, incluindo o que originou a própria técnica na sua execução e as diferentes classificações e semelhanças entre si. É a maneira de ser ou de fazer. É o entendimento da variedade artística segundo a maneira de tratá-lo, o estilo, a estrutura, e as características formais da composição. O entendimento do gênero na arte do teatro de sombras possibilita uma compreensão transversal com diferentes saberes e conhecimentos, revelando infinitas possibilidades criativas e intuitivas. Para o investigador do gênero caberá administrar seus investimentos na pesquisa e nas experiências, desenvolvendo suas capacidades criativas para alcançar os seus objetivos artísticos com o público. Com o devido tempo de investimento o estudioso do gênero do teatro de sombras desempenhará um ofício de criativa qualidade conceitual aliada a uma alta capacidade técnica. O aprofundamento é o caminho mais adequado para tornar um artista em encenador, diretor ou profissional de teatro de sombras.

08-Fundamentos da exploração do gênero da sombra expressiva

-Princípio único da exploração:
Observar atentamente e sempre que possível o comportamento e a natureza da sombra durante a sua ação. Essa é uma regra inviolável e tentar subverte-la ou fazer descaso desse princípio poderá acarretar conseqüências artisticamente desastrosas ou inconsistentes.
-Lidar com sombras requer um investimento que vai além do mero fascínio ou talento artístico que o interessado possua. Refletir, intuir, investigar, experimentar, analisar, duvidar, comparar são algumas das premissas básicas para iniciar-se no caminho artístico e no aprofundamento desse gênero. Todas as ações estão relacionadas a um desejo que impulsiona o investigador: a curiosidade. Sendo assim, é possível reconhecer que a curiosidade está ligada a uma natureza quase transcendental no campo intuitivo e cognitivo da pesquisa em artes aplicadas. Quando se trata de curiosidade, estamos falando da dúvida, que é a grande aliada no caminho da descoberta e da originalidade. É a força geradora e motivadora para iniciar e manter o pesquisador atento ao acaso ou ao processo da pesquisa. A descoberta na pesquisa artística é a maior experiência sensitiva, quase metafísica, capaz de movimentar tudo e todos, abarcando as ciências, as religiões e demais manifestações humanas. É confiável imaginar que enquanto existir mistério, dúvidas e curiosidade no teatro de sombras, haverá magia e encantamento em quem pratica e aprecia essa arte.
-A exploração da arte das sombras exige a capacidade de um raciocínio lógico específico e uma consciência analítica apurada. A sombra já possui em sua natureza um alto grau de abstração e sugestionabilidade. Mesmo optando por processos mais descontraídos e despretensiosos, comuns aos temas livres e abstratos de exploração através do improviso, é imprescindível desenvolver a reflexão, o senso crítico, a dedução e valer-se do julgamento externo para concluir os avanços do tema explorado. O valor de explorar um terreno desconhecido é conseguir sentir-se à vontade para transitar e guiar outros curiosos nos diferentes caminhos descobertos.
-Para não perder o caminho traçado na exploração é importante o registro do processo. Qualquer texto, desenho, imagem, gravação e apontamento, por mais inocente, irá se tornar parte de um todo, que o explorador deverá organizar como fonte de consulta sua e de outros que queiram se beneficiar das informações. Quanto mais profunda a pesquisa, mais detalhado o projeto, mais material de referência constará no acervo, possibilitando armazenar conhecimentos e riquezas para novos caminhos e descobertas. A pesquisa é um dos pilares do artista que busca a ousadia e a originalidade.
-A generosidade é fundamental no trabalho de pesquisa. Independente do estágio inicial que o curioso se encontra ou das descobertas prodigiosas que o pesquisador avançado realizou, todo o conhecimento pode ser partilhado. Algumas descobertas são restritas ao entendimento que cada pesquisa ou objetivo e muitas vezes o intercâmbio entre as informações é regido pelo nível de aprofundamento e afinidade que os interlocutores possuem. Quanto mais profundo for a pesquisa mais interesse ela irá gerar aos outros, portanto, convém exercitar a generosidade com os curiosos.
-Para colocar em prática idéias criativas no teatro de sombras são providenciais os planejamentos, mesmo que mínimo. Transformar as idéias em textos, depois em desenhos, depois em histórias em quadrinhos, depois em personagens, cenários, diálogos, música, efeitos sonoros e assim por diante.
-O apreciador do teatro de sombras, em geral, dá preferência por cenas curtas e objetivas. Elas mantêm a expectativa sem cansar o interesse do espectador. Além de ser mais atraentes as cenas curtas são mais simples de serem produzidas e podem ser articuladas entre si, formando cenas mais complexas.
-O corpo no teatro de sombras tem um valor simbólico específico. O corpo em sombra está muito próximo do corpo na dança. É o veículo de significados, movimentos, sugestões, metáforas, etc. As ações de pantomima ou mímica fazem parte de uma outra linguagem teatral e quase sempre são excessivamente descritivas, prejudicando a subjetividade e transitoriedade da sombra corporal.
-Iniciar compondo cenas com sugestões claras e simples colabora para que a criatividade encontre naturalmente caminhos e possibilidades mais complexas e extravagantes. Muitas vezes a própria linguagem ou o desembaraço técnico é que irá guiar ou censurar os devaneios criativos do encenador.

Dúvidas, críticas e sugestões: clube@clubedasombra.com.br

Criação de iluminação, desenho, cenografia e fotografias - Alexandre Fávero
Realização de cenas de espetáculos - Cia Teatro Lumbra/Clube da Sombra Ltda
< quero voltar
© Clube da Sombra 2010 - (51) 3446 9134 - clube@clubedasombra.com.br - Sítio Virtual desenvolvido por Pepinot