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| Foto de Alexandre Fávero - Resende/RJ - 2006 |
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| Foto de Alexandre Fávero - A Salamanca do Jarau |
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| Foto de Alexandre Fávero - Pelotas/RS - 2005 |
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| Foto de Alexandre Fávero - Pelotas/RS - 2005 |
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| Foto de Alexandre Fávero - Ibiporã/PR - 2009 |
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| Foto de Roger Mothcy - S.J. Rio Preto/SP - 2009 |
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| Foto de Roger Mothcy - Bonito/MS - 2009 |
Este resumo da História da Iluminação é oferecido pelo colaborador, pesquisador e professor Valmir Perez, da UNICAMP - SP e proporciona uma consulta rápida para estudantes e curiosos sobre o desenvolvimento e a cronologia desse amplo assunto na arte teatral. Boa consulta!
Primórdios do teatro ocidental
*No teatro grego e romano, a iluminação é exclusivamente natural.
*Os espetáculos iniciavam-se com o nascer do sol e as vezes avançavam a noite.
*Vitrúvio (séc. I a.C. ou d.C) alertava para que a construção dos teatros se desse em lugares salubres, longe de pântanos, com boa ventilação, orientação dos ventos e com luz solar abundante.
A idade média
*Primeiramente os dramas litúrgicos desenvolviam-se nas igrejas e a iluminação era favorecida pelos vitrais.
*Posteriormente, quando os dramas passaram também para os adros, praças públicas, ruínas de teatros romanos, tavolagens. A luz solar novamente foi a principal iluminação.
*Outras representações, como comédias satíricas, apresentações circences, que eram executadas em tavernas e castelos, eram iluminadas com tochas e archotes.
O teatro na renascença
*A partir do séc. XVI o teatro passou a ser representado também dentro de espaços fechados.
*Os teatros possuíam amplas janelas para entrada de iluminação solar, que eram abertas nas apresentações vespertinas.
*Nas apresentações noturnas muitas velas garantiam precariamente a visibilidade.
*A vela, invenção dos fenícios, foi durante muito tempo a única iluminação que os teatros possuíam.
Os candelabros
*Os candelabros foram utilizados durante os séculos XVII e XVIII.
*Eram enormes e iluminavam tanto o palco como a platéia.
*Os encenadores ainda não conheciam a iluminação como linguagem e as pessoas que freqüentavam os teatros, muitas vezes, iam para serem observadas e não para observar.
O teatro Elisabetano
*Os teatros da época tinham dois tipos básicos de arquitetura: circular ou poligonal.
*O espaço central era sem cobertura, onde fica a ralé. Quem podia pagar mais caro ficava nos balcões, de forma semicircular. O espaço cênico avançava no espaço vazio.
*A parte anterior do tablado ficava descoberta e a parte posterior tinha um teto apoiado em colunas. Toda iluminação era solar, porém para se designar a noite, os atores entravam munidos de tochas e velas acesas.
Primeiros experimentos
*No início do séc. XVIII foram feitos alguns experimentos utilizando-se sebo na fabricação de velas, porém tal experiência acabou não dando certo tendo em vista o mal cheiro exalado e o problema de irritação nos olhos.
A era dos lampiões
*Em 1783, Ami Argand cria um tipo de lampião a óleo menos bruxuleante, os famosos lampiões Argand.
Em seguida veio o lampião Astral francês e o tipo criado por Bernard Carcel, produzindo uma luz mais constante
A era dos lampiões II
*Em todos os casos, os lampiões eram bastante inconvenientes, sujavam o teto, as cortinas e os estofados e ainda podiam pingar gotas de azeite na cabeça dos artistas e do público.
*Nos EUA usava-se o óleo de baleia, na Europa experimentou-se o colza (extraído de um tipo de nabo) e o canfeno, terebentina destilada.
*Em seguida, veio o querosene que além de produzir muita fuligem e calor, queimava muito combustível.
Ainda no séc. XVIII
*Em 1719 a Comédia Francesa utilizava 268 velas de sebo para iluminar a sala, palco e demais dependências.
*Havia equipes encarregadas de acompanhamento para manutenção dos candelabros nos entreatos.
*Havia o perigo constante dos incêndios e a iluminação, além de fraca e bruxuleante, não podia ser controlada.
Onde colocar a luz?
*Nessa época (final do séc. XVIII), paralelamente à pesquisa de fontes combustíveis, iniciou-se também a preocupação com a posição das fontes de luz.
*Primeiras tentativas de ocultar as fontes de luz.
*Primeiras noções de ribalta, arandelas, contra-luzes e luzes laterais.
*Ainda nessa época as únicas fontes eram: velas de cera e sebo, lampiões de azeite ou querosene, que produziam iluminação instável, de difícil controle, sem direção, foco, extinção gradativa e outros recursos encontrados atualmente.
Curiosidades históricas
*No séc. XVI Sebastiano Serlio e Leone di Somi estudaram a iluminação cênica ainda que partindo de recursos precários, no livro Dialoghi in Materia di Rappresentazioni Sceniche, descrevem o uso de tochas atrás de vidros com água colorida para obtenção de efeitos, além de garrafas e vidros coloridos de vitrais para fins de coloração, usavam-se, também, objetos metálicos (bacias e bandejas) como superfícies refletoras.
O expectador é o centro do mundo
*Leone di Somi também se preocupou em reduzir a quantidade de iluminação na platéia.
*Angelo Ingegneri no séc. XVI, contemporâneo de Palladio, tentou o escurecimento completo da platéia, porém sem êxito.
*O público queria ser visto e ver outras pessoas.
*David Garrick em 1765 sugeriu que se retirassem as fontes visíveis do palco. Preferindo as luzes de ribalta, laterais e iluminação vinda de cima.
Na era do gás
*Nas ruas de Londres o gás começa a ser utilizado a partir de 1807.
*Em Paris a partir de 1819.
*Na iluminação doméstica a partir de 1840 (na Europa) e depois da guerra civil nos EUA.
*Nos teatros é empregado de forma generalizada a partir de 1850.
*A primeira adaptação bem sucedida em 1803 no Lyceum Theatre de Londres realizada por um alemão chamado Frederick Winsor.
*As primeiras mesas de controle apareceram em Londres e no Boston Theatre nos EUA.
As vantagens do gás
*Luz mais intensa (um candelabro a gás equivalia a doze velas).
*Regulagem de intensidade.
*Maior estabilidade nos fachos.
*Nitidez nas respostas.
*Controle centralizado.
*Novas disposições de fontes de luz.
*Efeitos individualizados para isolar cenas e criar zonas de atenção.
As desvantagens do gás
*Cheiro desagradável.
*Produzia sonolência (intoxicação).
*Produzia muita fuligem exigindo constante limpeza de paredes, tetos e cortinas.
*O gás era manufaturado pelo próprio teatro (custos enormes).
*Perigo de explosão e incêndios (segurança).
*Obrigatório a presença de fiscais de fogo.
*Os incêndios eram comuns.
A luz elétrica
*Em 1879 Edson fabrica a primeira lâmpada de incandescência com filamento de carbono permitindo a generalização do uso da eletricidade nos teatros.
*Até o final do séc XIX a luz elétrica já havia se tornado comum nos grandes teatros.
*Primeiras instalações elétricas em palco italiano utilizavam luzes de ribalta, gambiarras (Luzes de cima) e laterais.
Das trevas para a luz
*Em 1876, pela primeira vez, durante a representação de suas óperas em Bayreuth, Richard Wagner, (1813 – 1833) mergulha a sala no escuro.
*Essa medida é pouco a pouco adotada na Inglaterra, na França e no restante dos teatros europeus.
*Perda da consciência da realidade que rodeia o expectador. Estado parcial de hipnotismo.
*A técnica de iluminação devia respeitar e servir às estruturas e aos objetivos da cena.
*O teatro deixa de ser o imenso salão da sociedade burguesa.
Uma nova estética através da luz
*Separação nítida entre palco e platéia.
*Participação da luz enquanto forma particular do olhar.
*Sugere impressões, revela a materialidade e o significado das coisas captando-as nas suas 3 dimensões.
*A iluminação integra-se à cenografia configurando uma única representação da realidade.
Novas descobertas
*Em 1902 o cenógrafo Mariano Fortuny desenvolve na Alemanha o “Kuppelhorizont” um antepassado do ciclorama.
*O ciclorama trouxe altura à cena, modificou a arquitetura do cenário e criou sensação de infinito.
*Fortuny também desenvolve sistemas de adaptação de coloração da luz.
*A luz elétrica fez com que toda a estrutura teatral mudasse radicalmente.
Mudanças radicais
*A luz elétrica provocou mudanças no conceito de cenografia, figurino, alterando o aspecto visual do espetáculo.
*O cenário pictórico é substituído pelo cenário construído (objetos reais, portas, móveis, paredes, etc).
*O cenário torna-se uma realidade tridimensional.
*Surgem os spotlights, com suas lentes (vantagens de focagem), obturadores (ajustes de abertura), instalação à distância, direcionamento preciso, regulagem de posição fixa ou móvel, facilidade para captar o objeto de qualquer ângulo, suporte para filtros coloridos.
Mesas de controle
*Mesas de torneiras para iluminação a gás.
*Mesas com controle de alavanca para imersão em solução salina.
*Mesas de controle com resistores de mola.
*Mesas analógicas com placas transistorizadas.
*Mesas digitais – chips de computadores.
Valmir Perez
Lighting Designer
Laboratório de Iluminação Departamento de Artes Cênicas do Instituto de Artes (DAC/IA)
Unicamp
www.iar.unicamp.br/lab/luz
http://valmirperez.blogspot.com/
Reprodução de conteúdo autorizado pelo autor.
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