Repertório
Projetos
Clube da Sombra
Cia Teatro Lumbra
Caixa Preta
 
 

Este artigo se refere ao nono capitulo da monografia realizada pela psicóloga Fabiana Bigarella, integrante da Cia Teatro Lumbra e uma das coordenadoras da produtora Clube da Sombra Ltda.


 


A pesquisa e a monografia foram produzidas durante seu curso de conclusão como especialista em arteterapia no Centro de Estudos em Arteterapia, psicologia e educação - CENTRARTE - Porto Alegre/Rio Grande do Sul, sob a orientação da Ms Magda Martins Mariante no ano de 2009.


 


O trabalho Sombraterapia - “Plantando sombras, Colhendo luzes”: Vivência com teatro de sombras - Investigação teórica, prática, intensiva e reflexiva sobre sensibilização dos sentidos" é uma pesquisa ampla e será publicada em capítulos.


 


Abaixo os tópicos descritos nessa publicação:


 


APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Dinâmica da Vivência


 


6. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS


 


“Não pode haver sombra sem luz, pois um elemento visual complementa-se no existir do outro, num processo de cumplicidade e necessidade.”
                                                                     José Acioli Filho


 


6.1 Dinâmica da Vivência:


 


*Orientação inicial:


• registrar as sensações e reflexões como início do processo investigativo;
• a cada desdobramento, buscar outras relações e possibilidades expressivas;


 


*Apresentação dos participantes e da dinâmica de trabalho:


• “TU FALA”: atividade onde cada um se apresenta para o resto do grupo. Cada participante deve se dirigir para frente da tela, sentar no banquinho que está sob a luz e virado para a “platéia” e falar seu nome, o porque de estar participando daquela vivência e o que mais achar oportuno o grupo saber a seu respeito.


 


“Gostei muito da forma de apresentação criada pelo grupo ministrante, onde cada "aluno", ao falar de si já estava apresentando sua sombra atrás. ”(sic)


 


*Desorientação e desequilíbrio:


 CABRA-CEGA; a proposta é resgatar a brincadeira infantil que fez parte da infância de todos nós, onde num primeiro momento um participante fica vendado e deve conseguir tocar em outro participante. Quando conseguir esse participante que foi tocado se torna mais uma cabra-cega e assim sucessivamente, até termos quatro cabras-cegas na brincadeira, quando o quinto participante é tocado a brincadeira termina.
• avaliação e reflexão: cegueira, relação com o escuro, relato de histórias pessoais;


 


*Reconhecimento do espaço e sensibilização dos sentidos:


• reconhecimento detalhado do espaço e do conteúdo;
• encontrar pontos de risco e mensagens subliminares;
• apurar os cinco sentidos e memorizar os detalhes: visão, tato, audição, olfato, paladar;
• criação imagética do espaço no contexto urbano e cotidiano;


 


*Sensibilização dos sentidos no escuro:
 • contato físico com o espaço;
• desorientação espacial;
• contato físico com os colegas e tentativa de reconhecê-los;
• Comentários sobre a experiência: escravidão visual, importância do espaço, apuro dos sentidos mais atrofiados;


 


*Observação da própria sombra:


• trouxeram a própria sombra?
• perceber onde está a tua sombra;
• observar a tua sombra;
• cuidar da tua sombra;
• reconhecer a tua sombra;
• valorizar a tua sombra;
• respeitar a tua sombra;
• zelar pela sobrevivência da tua sombra;
• não perder a tua sombra;
• proteger a tua sombra;
• sombra do corpo no chão, na parede


 


*Conhecer a tua sombra:


• entorno da tela;
• caminhar em fila circulando a tela pelos dois lados;
• apresentar formalmente a tua sombra aos colegas;
• passar e formar brevemente uma imagem corporal;
• aproximar da tela e falar o quê acha da tua sombra;
• confidenciar com a tua própria sombra;
• evitar o deslumbramento sedutor das sombras;
• quando somos escravos da sombra? (mecanismos da caverna de Platão);
• quais as necessidades para dominar a sombra?


 


 “Ainda tenho muito a percorrer no sentido de superação pessoal quando me dei por conta de minhas dificuldades e inibições pessoais”. (sic)


 


*Conhecer a sombra das coisas:


• deformação e desconstrução do corpo;
• corpo se transforma em objeto;
• combinar corpo e objetos (vazados, sólidos, transparentes...);
• sobreposição e ocultação (individual, em duplas e o grupo)


 


*Do corpo à silhueta:


• desenho e recorte do corpo no papel;
• clonagem do corpo;
• deformação do corpo;
• silhueta e o retrato de sombra;


 


*Conceito de sombra e teatro de sombras:


• o que é uma sombra?
• para que servem as sombras?
• o que é teatro de sombras?
• o que é teatro?
• a diferença de teatro de sombras e teatro com sombras;
• a dramaturgia da sombra;
• o que é necessário para fazer teatro de sombras?
• como seria o mundo sem a sombra?
• o quê a sombra consegue fazer?
• o quê o homem associa de valores psicológicos a sombra?


 


*Com o que tu associas a sombra?


 “A possibilidade da luz” (sic)


“... primeiramente ela nos remete a nossos medos e fantasias (fantasmas), com um outro eu...”(sic)



*Para que serve a sombra?


 “Serve para nos acompanhar (no sentido psicológico estamos sempre com essa companhia) serve para a representação artística, criar ilusões visuais.” (sic)


 


*Construção da silhueta: materializando a idéia da figura:


• criação livre e modelagem de figura em um fio de arame;
• apresentação e avaliação coletiva da síntese da figura bidimensional no arame;
• criação livre e recorte de uma imagem no papel;


 


*Investigação das criações:


• apresentação da figura de papel com projeção dramatizada (imagem e som);
• soma e relação das projeções em um enredo;
• noções de manipulação e dramaturgia no teatro de sombra;
• o sombrista como contador de histórias;


 


*Jogo teatral, improvisação e construção de cena:


• criação livre e arquitetura de cenas;
• divisão dos personagens e marcação de cena;
• tempo de cena e trilha sonora;
• a improvisação com poucos recursos cênicos;
• a força dramática das sombras;


 


*Encerramento da vivência:


“A Sombra fala”
• retrospectiva da sombra dos participantes;
• desprendimento da sombra do corpo;
• a sombra ganha luz própria;
• a revelação;


 


*A revelação de uma sombra:


"-Eu sou "H2O”... sombra não tem nome e sim código!
Falo isso pq meu "cavalo" me permitiu que eu pudesse mostrar a ele um momento bem mais tranqüilo. Nesse momento da vida dele, por ele estar com muitos problemas de saúde na família, eu trouxe a possibilidade de ele interagir com elementos que lhe transmitam calma e serenidade.
 No primeiro contato pratico ele pegou um peixe...no segundo montou com um arame um segundo peixe (baleia).Logo depois no exercício de recortar a figura da cartolina ele fez um barquinho q a principio ficou rústico, depois arredondado e em seguida ele acertou e fez ondas q remetem a tranqüilidade no mar.
É incrível essa possibilidade já q ele “é de peixes" e deixou que pudesse aflorar mostrando q a sombra sempre é vista como algo triste, obscuro, sinônimo de algo ruim e causando estranheza.
Hoje eu fico feliz por ter ajudado um ser humano a ver a paz de uma maneira artística e pude com teor tocar de verdade numa alma humana !!!
Muito obrigado por essa oportunidade.
Esse lugar aqui para mim e também um grande aquário, onde eu estou em paz também !!
Obrigado."



*Entrega de material teórico com bibliografia e endereços para pesquisa na internet.



SOMBRAS


Sensibilidade como uma janela para dentro
De formas mil
De forma nenhuma


Quando há o toque, sem nem mesmo o haver
Tocar lá dentro. Como uma solução para o nada


Sensível ao ar, o cheiro, o calor, à luz
Perceber a vez do silêncio
A vez do choro
Com olhos de criança, ser parte desta dança


Luz e Sombra
Que belos amantes
Tão distantes, mas tão cúmplices


Sem pernas, posso voar
Posso nem ser eu
Sermos um só
Só Sermos
Sermos só


E. S
Participante da Vivência de Sombras - POA/ 2006

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