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Clube da Sombra
Cia Teatro Lumbra
Caixa Preta

Este artigo se refere ao décimo e último
capitulo da monografia realizada pela psicóloga Fabiana Bigarella, integrante da Cia Teatro Lumbra e
uma das coordenadoras da produtora Clube da Sombra Ltda.

 

A pesquisa e a monografia foram produzidas durante seu curso de conclusão como
especialista em arteterapia no Centro de Estudos em Arteterapia, psicologia e educação - CENTRARTE -
Porto Alegre/Rio Grande do Sul, sob a orientação da Ms Magda Martins Mariante no ano de 2009.

 

O trabalho Sombraterapia - “Plantando sombras, Colhendo
luzes”: Vivência com teatro de sombras - Investigação teórica, prática, intensiva e reflexiva sobre
sensibilização dos sentidos" é uma pesquisa ampla e foi publicada em capítulos.

 

Abaixo os tópicos descritos nessa publicação:

 

CONSIDERAÇÕES  FINAIS
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS


7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Hoje quase ao anoitecer levei
A menina
que não vê
Um pouco pela floresta adentro
Onde estava escuro e havia sombras.
Levei-a até
uma sombra
Que vinha na nossa direção.
A sombra tocou-lhe o rosto
Com seus dedos de
veludo.
E agora também a menina
Veio a gostar das sombras.
E o medo que existia
passou.

 

Opal Whitely
(Estés, 1994, p. 563)

 

A possibilidade de cultivar no mesmo canteiro sementes do
teatro de sombras e da arteterapia, floresceu de uma maneira surpreendente e inesperada. Esse
cultivo, num primeiro momento casual, sem um real entendimento do poder de fecundidade e germinação
entre as sombras do teatro de animação e as luzes da arteterapia, produziu brotos que aos poucos
começam a criar vida própria. O que começou como um mero acaso agora começa a se apresentar como uma
nova possibilidade a ser trilhada, que vai sendo aos poucos desvendada, onde sombras e luzes revelam
e ocultam, a todo o momento, a existência de uma natureza exuberante, assustadora e acima de tudo
reveladora do nosso eu mais íntimo e profundo.

 

A
partir da realização das Vivências percebemos que a utilização da linguagem do teatro de sombras
associada aos conceitos, entendimentos e práticas em arteterapia, proporciona a criação de um espaço
onde o recurso da arte combinado a um entendimento psicoterapêutico, promove o surgimento de um
processo dinâmico onde a sombra, seja ela objeto de um espetáculo para um grande público ou objeto
subjetivo para um grande espetáculo de auto conhecimento, desperta sensações, percepções e emoções
que estavam ocultas nos cantos e recantos mais profundos e escuros da psique humana.

 

Durante a realização das Vivências podemos observar que a
descoberta da sombra como uma companheira de presença e atuação constante na vida de todos nós,
causa fascínio quando ligamos a sua existência a nossa existência. A sombra passa a ser percebida
através de todos os nossos sentidos: os olhos a seguem por todos os lados, os ouvidos estão atentos
aos seus sons, as mãos tocam as suas projeções, as narinas farejam a sua trilha, os lábios sentem o
sabor da sua presença. Depois de um encontro com a nossa sombra nossos sentidos não são mais os
mesmos e a nossa vida passa a ter outro sentido. Nunca estamos sós quando temos a nossa sombra como
companhia.

 

O contato com a sombra gera dúvidas,
desconfianças e questionamentos, elementos esses fundamentais para seguirmos sempre na busca de
novas revelações e descobertas sobre nos mesmos e as nossas sombras. A Vivência desperta sensações e
emoções que podem estar ocultas por luzes externas que tomam conta do nosso dia a dia e não permitem
a percepção da própria sombra, é o contato com a luz interior, no interior das nossas cavernas mais
profundas e ocultas o que nos permite o resgate do nosso eu mais primitivo e fundamental para uma
relação mais saudável e criativa com nós mesmos e com a realidade que está a nossa volta.

 

A grande questão, portanto, não é quando penetramos as
nossas cavernas mais profundas e escuras, mas sim quando saímos desse mergulho e percebemos a
realidade a nossa volta, agora modificada e transformada diante dos nossos sentidos que foram
inundados de novas percepções e emoções. As sombras que se projetam do nosso eu nunca mais são as
mesmas depois que mergulhamos nas ondas de luzes que irradiam do nosso interior.

 

Logo, percebemos que os frutos desse cultivo ainda estão em
processo de desenvolvimento, alguns já se mostram mais viçosos, outros ainda surgem sutilmente, mas
o que podemos observar é que dessa combinação surge mais uma possibilidade de sensibilização dos
sentidos e transformação na qualidade de vida das pessoas e dos grupos. Mas o mais significativo
nesse processo criativo e dinâmico de auto conhecimento a que se propõe a Sombraterapia é de que
nunca podemos perder a nossa sombra de vista, uma vez que é ela que sempre poderá revelar de onde
está vindo à luz que alimenta e gera a verdadeira essência de cada um de nós.

 

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

AMARAL, A. M. Teatro de Animação – Da
teoria à prática. São Paulo: Ateliê Editorial, 1997.

 

ANDRADE, L. Q. Terapias Expressivas, em Revista Integração – ensino – pesquisa –
extensão. Ano 1 nº 1, São Paulo, Centro de pesquisa da Universidade São Judas Tadeu,1995.

 

BADIOU, M. – As Sombras Entre Continentes E Culturas: uma
visão de mundo, São Paulo, Cultrix, 2004.

 

BELTRAME,
V. Teatro de Sombras – textos organizados, Florianópolis: UDESC, 2005.

 

CASATI, R.. A Descoberta da Sombra: De Platão a Galileu, a
história de um enigma que fascina a humanidade. São Paulo: Companhia das Letras,
2001
.
CONNIE, Z.ABRAMS J. Ao Encontro da Sombra: o potencial oculto do lado escuro da
natureza humana. São Paulo: Cultrix, 1991.

 

ESTÉS, C.
P. Mulheres que Correm com Lobos, Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

 

FÁVERO, A. Sombras no Teatro Brasileiro, Porto Alegre: clubedasombra, 2009.

 

PLATÃO. A República, São Paulo: Nova Cultural, 1987.

 

JUNG, C.G. O Homem e seus Símbolos. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 2002.

 

MACHADO, A. Pré- cinemas & pós-
cinemas. Campinas: Papirus, 1997.

 

OSÓRIO, C.L.
Grupoterapia – abordagens atuais. Porto Alegre: Artes Médicas, 2007.

 

PAIN, S. Teoria e Técnica em Arteterapia – a compreensão do
sujeito, Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.

 

PHILIPPINI, A. Recuperando os Fios da Memória, em Revista do Departamento de
Arte-Terapia ano V, nº. 4, São Paulo, Instituto Sedes Sapientiae, 2000/2001

 

RUDIGER, D. & THORWALD,D. A Doença Como Caminho;São
Paulo:Cultrix, 2003

 

VON FRANZ, M.L. A Sombra e o Mal
nos Contos de Fada. São Paulo: Paulus, 2002.

 

YALOM,
I.D. Quando Nietzsche Chorou, Rio de Janeiro: Ediouro, 2005.

 

SESC POMPÉIA, Almanaque Sombras e Luz, São Paulo, 2009

 

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