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Primeiros registros

Sete encontros, entre 11 de abril e 14 de junho de 2012

 

Conceito, investigação e processo

O espaço, a luz, a identidade e o tempo foram alguns dos elementos de interesse para o início da pesquisa na criação das imagens fotográficas. Cada encontro, um processo e cada processo, uma surpresa. Os estudos, todos práticos, valeram-se de diferentes experiências profissionais e variadas técnicas que os criadores/autores/sombristas/atores já possuíam ou desejavam investigar. A incerteza, como sempre nos trabalhos dos sombristas do coletivo Lumbra, serviu para disparar a inquietação investigativa, por vezes planejada e outras totalmente empíricas onde a busca pela imagem tanto trazia deslumbramento quanto frustração. Os processos mostraram possibilidades com variados elementos, combinados em diferentes lugares, com interferências produzidas por artefatos e equipamentos luminosos. Os primeiros ensaios, em estúdio, serviram para experimentar máscaras plásticas, de expressão neutra, para remover a identidade dos modelos retratados por meio de luzes em exposições sucessivas e sobrepostas em um mesmo fotograma. Um resultado em camadas, produzidas separadamente, registradas uma a uma e sobrepostas de forma luminosa e artesanal. Uma dinâmica quase cênica em que o espetáculo visto tem uma sequência fragmentada, condensada em uma única cena, ao mesmo tempo e no mesmo lugar.

Por conveniência foram captados retratos dos próprios autores/atores, que tanto afinavam equipamentos, operavam luzes, acionavam a câmera e modulavam o espaço como também serviam de modelo para os registros. Um trabalho complexo que exigiu sincronia do modelo com os movimentos de luz e o registro sucessivo do tempo durante a captura da imagem. Para isso cada fotografia necessitou de uma construção conceitual e uma desconstrução operacional. Repetições sucessivas para caracterizar e descaracterizar o modelo, iluminar e obscurecer o ambiente, revelar e ocultar o objeto, enquadrar e reenquadrar o tema. Situações e dinâmicas nem um pouco convencionais para a fotografia e que apresentaram demandas muito diferenciadas para operacionalizar as tomadas e capturas. Algumas vezes os ensaios técnicos sugeriam cenas cinematográficas com coreografias onde cada autor tinha quatro ou mais ações para desenvolver durante 30 segundos ou nos casos das imagens noturnas produzidas ao ar livre, uma sequencia de acionamento de câmera com operação de luz e pirotecnia. Uma operação luminosa feita as escuras em uma ação planejada dentro e fora do enquadramento, onde o obturador aberto, em intervalos de grande duração, precisava ser protegido pela escuridão, preservando a sensibilidade e a latência fotográfica enquanto se executava o movimento no escuro. Cada ação tinha o objetivo de alterar a composição da imagem, oferecendo sutis diferenças para a sucessão de instantes capturados e sobrepostos.

O desenvolvimento das experiências revelou curiosidades conceituais que estavam embutidas no processo. Geralmente iniciavam com temas organizados em planos abertos e extraordinariamente se comprimiam em composições cada vez mais fechadas, se aproximando de um formato de retrato. Abrimos o leque de riscos e ousamos utilizar como tema uma piscina, gramados, árvores, janelas, escadas, carros e fizemos de máscaras, palha de aço, lanternas de LED, refletores, gelatinas coloridas, papel laminado e fogo as ferramentas nas sessões periódicas. Preparações complicadas que não resultaram em nada. Expectativa com enquadramentos estranhos que não permitiam sequer posicionar o tema dentro. Repetições insistentes sobre o erro. Investimentos desnecessários. Mas quando menos se espera, lá está a imagem, surpreendente, exótica, impensada e capturada no meio da madrugada.

Parece que descobrimos um ofício que faz do trabalho técnico um ritual investigativo que se desdobra e revela diferentes caminhos. Cada um desses caminhos tortuosos, labirínticos e sem atalhos, merece ser percorrido. Movimento Escuro guarda em seu nome a essência daquilo que não se detém e a sensação da incerteza de onde se pode chegar.

texto de Alexandre Fávero, em 9 de julho de 2012

 

Locações

Estúdio Clube da Sombra – Viamão/RS

Chácara da família Lisbôa – Porto Alegre/RS

Estúdio Marcelo Gobato – Rio Grande/RS

 

Equipamentos

Câmera Canon T3i



 
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