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| Mesa representada pela Associação Ruarte, FUNARTE, ABTB, IPHAN e Associação Calunga de Teatro de Bonecos |
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| Turma da Vivência no Teatro de Sombras |
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| Complexo FUNARTE |
08.09.2009 - 8º Festival Internacional de Bonecos de Brasília/DF
Brasília, 27 de agosto de 2009.
Durante o mês de agosto a Cia Teatro Lumbra realizou duas apresentações nas cidades de Palmas/TO e em Goiânia/GO, na programação do Projeto SESI Bonecos do Brasil que seguiu pela região do centro oeste. De Goiânia as sombras do Teatro Lumbra rumaram para 8º Festival Internacional de Bonecos de Brasília, que aconteceu no Complexo Cultural da Funarte.
Além das duas apresentações lotadas no Teatro Plínio Marcos, a Cia Teatro Lumbra ministrou uma exclusiva Vivência no Teatro de Sombras, promovida pela Fundação Nacional de Artes (Funarte/MinC), no Teatro Dulcina de Moraes no Setor de Diversões Sul. As inscrições foram gratuitas e atenderam mais de 15 alunos de artes e curiosos.
O trabalho faz parte do Circuito FUNARTE de Capacitação em Artes Cênicas, que realiza oficinas de teatro em todo o país. A finalidade desse programa é estimular a troca de informações e transformar os participantes em agentes multiplicadores de conhecimento. Diferentes resultados foram apresentados durante as experiências, mostrando a alta capacidade criativa que a linguagem das sombras oferece aos estudantes de artes cênicas e artes plásticas.
Durante as atividades artísticas e confraternização do festival aconteceu paralelamente programação uma reunião com o atual presidente da Fundação Nacional de Artes – FUNARTE, o ator Sérgio Mamberti. O encontro foi promovido pela organização do festival, representado pelo diretor Ricardo Moreira e pela ABTB, representada pelo bonequeiro Renato Perré. Compondo a mesa estava também a pesquisadora, Isabela Brochado, que se dedica ao registro da cultura popular dos bonecos de mamulengo, do João Redondo, do Cassimiro Côco e do Babau em seus respectivos estados de PE, RN, DF e PB e o registro dessa cultura junto ao IPHAN. O presidente da Associação Candango de Teatro de Bonecos de Brasília compareceu representando os artistas locais.
Dentre os assuntos de pauta levantada pela ABTB, estava a necessidade da retomada da publicação e a circulação da Revista Mamulengo, que é dedicada à pesquisa e teoria do teatro de animação no Brasil e a reativação da estrutura física e operacional na Aldeia de Arcozelo/RJ, como importante ponto de convergência para o estudo, a prática e a fruição do teatro de animação nacional. A ABTB em parceria com a UNIMA está promovendo o 3º ABRACE Boneco, em novembro, como forma de fortalecimento da categoria.
Ricardo Moreira foi enfático na defesa dos interesses dos artistas locais que segundo ele, almejam o fomento do mercado de trabalho, com geração de empregos e renda para os protagonistas do teatro de bonecos no Brasil. Sugere a elaboração de um edital específico para os bonequeiros, um prêmio de reconhecimento e valorização para os mestres, editais de circulação regional para garantir a sobrevivência dos artistas e se propõe a elaborar coletivamente uma proposta para ser apresentada o mais breve possível.
A pesquisadora Isabela Brochado saliente a necessidade de verba para a continuidade da pesquisa do IPHAN sobre as vertentes nordestinas do teatro de bonecos brasileiro, já que durante o seu trabalho de campo de 2 anos foi possível perceber o choque cultural entre a arte e a religião e o risco da influência que as igrejas evangélicas estão exercendo sobre as famílias dos antigos mestres e bonequeiros. Salientou a risco de se perder a história cultural do país em virtude da pressão e indução dos pastores destas igrejas sobre as famílias, instruindo mulheres e homens a afogar e queimar os seus bonecos para afastar os pecados que este tipo de manifestação artística traz à segurança das famílias. Lamentável contraste.
Os outros pontos comentados foram a iniciativa do IPHAN em colocar um museu itinerante de teatro de bonecos (UNB). A FUNARTE em realizar um cadastro nacional, projetos de circulação, rever o pacote tributário para artistas e produtores culturais, a formalização trabalhista do bonequeiro e editais específicos para o teatro de bonecos nas áreas de formação, circulação, produção e pesquisa.
A reunião teve presente 30 artistas e bonequeiros de diversas estados e alguns países do exterior. O evento foi brindado com a performance de dois bonecos que tornaram a reunião mais descontraída, evitando que algumas autoridades cochilassem sobre a toalha de chitão.
No final ouvimos o relato emocionante do mestre Zé Lopes – PE, que contou sobre a sua experiência em criar um ponto de cultura para proteger a tradição do mamulengo nordestino e suas dificuldades em manter a manutenção do espaço localizado em frente a sua casa. Nas vozes de artistas da Bahia foi entoado um canto sob as palmas dos presentes. Todos os presentes assinassem uma lista de presença, marcando o encerramento da reunião.
Texto Informativo Clube da Sombra
Fotos de Alexandre Fávero
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